domingo, 15 de julho de 2018

No meu tempo

As férias grandes eram grandes, enormes, três intermináveis meses, que depois da euforia inicial do estar de férias, ansiávamos que chegassem ao fim.

Também não havia campos de férias, actividades para férias, workshops, actividades de aperfeiçoamento de  algo ou actividades a rodos, pelo menos na Malveira não havia nada disso.
Víamos televisão, mas desenhos animados só a determinadas horas, não havia canais temáticos, nem tv cabo, nem tv a cores.
Brincávamos na rua, inventávamos jogos, fazíamos muitas asneiras e só voltava para casa quando a minha mãe abria a porta (e a goela) e chamava (gritava) Cláudia Alexandraaaaaaaaaaaaa! 
Fazíamos piqueniques com a tia Albertina, a irmã mais nova da minha avó Maria, e para além de irmos para o pinhal com um manta a iguaria principal era pão barrado com manteiga e pasmem-se: açúcar amarelo.
Filha única que sou passava também muito tempo sozinha, brincava com bonecas, escrevinhava e comecei a adorar ler.
A casa das minhas avós eram os meus locais preferidos, havia tanta coisa para descobrir e tantas histórias para ouvir.
Íamos à praia à Ericeira, a Santa Cruz e à Costa da Caparica, na praia havia sempre o Sr. das batatas fritas com o seu pregão: Olhá batata frita, tá mesmo a estalar ou a Srª das bolas de berlim. Ir à praia significava também que na hora de almoço tínhamos piquenique no pinhal com a bela da sesta na manta, hora que as crianças odiavam e atormentavam os pais. Mas havia a hora da digestão que era preciso respeitar e durante 3 horas estavamos proibidos de ir à água. 

Saudades desses tempos, claro! Era tão bom ser criança!!! Mas acima de tudo tenho saudades da forma descompliacada de viver, simples, sem a preocupação de ter de ocupar as crianças com actividades, com sobrecargas educativas. Férias são férias e presupõem tempo livre, pressupõem brincadeiras e pressupõe algum tédio e saudades da escola, da rotina.

No meu tempo não era melhor nem pior, mas era mais leve, mais descontraído e havia sempre alguém disponível para dar um olhinho pelas crianças, haviam avós presentes, haviam vizinhas, tias. No meu tempo os dias passavam devagar e vivíamos um dia de cada vez, aproveitando mesmo o momento, mais mindfulness impossível. 

Ai que saudades das férias grandes, as do meu tempo! 

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