segunda-feira, 11 de junho de 2018

Vida de Mulher de Piloto - A Escala

Janeiro 2009 (Primeiro voo que fiz com o meu marido)

















Vou dar início a uma rubrica regular, cá vai ela (rufem os tambores) Vida de Mulher de Pilotoque se inicia com o tema quente: A Escala!
Garantidamente um dos assuntos tabu para uma mulher de piloto, pois gerir os horários é muitas vezes literalmente uma grande treta, principalmente se a mulher de piloto também tiver uma actividade profissional e no meio houver filhos pequenos, a vida passa-se numa série de encontros e desencontros, numa ginástica constante!
A gestão do dia-a-dia é feita de acordo com a escala.

Chega a dia 14 começamos a hiperventilar e a sonhar com a escala que está na iminência de chegar e nos desafios que esta nos trará.
No dia 15 (isto é, quando a dita escala chega no dia certo, porque muitas vezes nem a chegada da escala cumpre o horário!) recebes uma mensagem:“Amor, a escala já chegou!” e quanto mais carinhosa for a mensagem pior é a escala, funciona de forma inversamente proporcional!
Meio a medo abres o anexo e deparas-te com uma série de siglas e números para decifrar, qual código encriptado (garantidamente torna-se mais fácil à medida que te tornas mais experiente). Depois de a decifrares, abres a tua agenda profissional e a agenda familiar e constróis o puzzle, que será o teu próximo mês.
Entre afazeres e compromissos profissionais, entre a vida escolar dos teus filhos, os eventos escolares onde o envolvimento da família é necessário, entre consultas e outras responsabilidades parentais, lá vamos dia-a-dia gerindo a vida o melhor que se consegue (Valha-nos a santa ajuda dos avós!)


Há dias que chegas a casa depois de um intensivo dia de trabalho, cruzas-te com o teu marido piloto que está de saída:
Olá! Adeus! Está quase na hora da minha apresentação, tenho de ir - trocam-se beijos de fugida - Tenham um bom resto de dia! (sim, sim, vai ser maravilhoso, só trabalhei 8h e ainda tenho que fazer jantar, dar banho aos miúdos, verificar t.p.c’s, brincar, aturar umas quantas birras e deixar tudo em ordem para amanhã de manhã para que não hajam atrasos). A tv vai ser só para mim, vou poder estar na cama de luz acesa até cair de sono, vou poder trocar mensagens de whatsapp com as minhas amigas e rir das nossas parvoíces sem ter de explicar o porquê de tanta risada, vou poder dormir à vontade bem no meio da cama.


Também há dias em que estás quase a sair de casa pela manhã, com as lancheiras aviadas, as crianças despachadas e alimentadas, cruzas-te com o teu marido piloto que está a chegar depois de voar toda a noite:
Bom dia! - mais uma beijo roubado - tenham um bom dia, o pai vai descansar que está cheio de sono! (sim, sim, vai ser um dia maravilhoso, estou levantada há 2 horas, já dei 3 gritos, corri feita maluca pela casa fora e o relógio insiste em correr contra mim, vou só voar até à escola e depois até ao meu trabalho, ao qual deveria chegar fresca e fofa mas ao qual chegarei descabelada e estafada). Não tropecei com ninguém na minha casa de banho logo pela manhã, pude mudar de roupa 10  vezes e bradar aos céus: não tenho nada para vestir, sem ouvir quaisquer comentários.


E é isso, ser mulher de piloto é bom e é mau!


Há alguém desse lado que se solidarie comigo?

[Disclaimer: Amor não são queixinhas, são factos, ok?]

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