terça-feira, 3 de abril de 2018

Deixem-nas ser crianças

Nem todas as crianças são iguais, nem todas têm as mesmas capacidades, as mesmas competências, os mesmos comportamentos, nem todas se desenvolvem da mesma forma, nem todas vão ser boas alunas, boas desportistas, estar no quadro de honra, frequentar a faculdade ou ter múltiplas actividades extra-curriculares e nem todas terão as mesmas oportunidades. Sempre assim foi e sempre assim será.

E a somar a tudo isto há ainda várias condicionantes, como o caso de uma doença, e se for uma doença que roube qualidade de vida e que diminua capacidades mais complicado se põe o cenário.
Como Mãe o que penso é que em primeiro lugar, uma criança é uma criança e precisa de ser tratada como tal, precisa de tempo para brincar, para aprender, precisa de experimentar, de ser feliz e de fazer disparates, de rir, de ter tempo livre, de viver devagar.
No caso de uma criança com uma doença precisa de aceitação, apoio, amor, compreensão, carinho, ajuda. Precisa de uma família unida, amigos, de uma rede de apoio, de uma escola que o suporte e que o enquadre, que lhe dê oportunidades, que o inclua, que perceba que há diferenças, que esteja disposta a fazer diferente. Se precisar de tratamentos, terapias e acompanhamento especial tem de ter tempo para, tem de ter quem o acompanhe e tem de ser percebida e enquadrada pela sociedade.
Depois e só depois vêm as expectativas, do que vai ser quando crescer, do que vai ser capaz de fazer, do que vai aprender ou dos resultados que terá, isso passa decididamente para segundo plano.

Estas crianças mais do que quaisquer outras precisam de ser crianças, de não ter pressão sobre o seu futuro, de não serem julgados, de não se preocuparem com diagnósticos ou patologias (essas cabem aos crescidos), precisam de ser aceites por todos os que os rodeiam e precisam ainda mais de apoio e de amor.

Não é um caminho fácil de fazer, principalmente na correria da vida de hoje em que voamos de compromisso em compromisso, de afazer em afazer, muitas vezes nos esquecemos do básico e do que realmente importa e somos levados pela maré.
Mas há coisas muito mais importantes do que resultados, do que prepará-los para vingarem na vida, primeiro porque a infância não é uma preparação para a vida, a infância é viver, e segundo porque não somos donos de nada e porque a vida não se desenrola certinha dentro de planos, acções e objectivos, há tanto mas tanto mais que nos espera e que nos pode literalmente tramar os planos!
Por isso deixem-nas sempre em qualquer circunstância ser crianças.

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