sexta-feira, 23 de março de 2018

No dia em que o meu coração parou

21 de Março de 2016, o dia que mudou a minha vida para sempre. Um dia que se pudesse escolher, escolheria que não existisse, um dia para o qual não estava preparada, um dia que nunca pensei viver. 
Dizem que Deus dá as batalhas mais difíceis aos seus soldados mais valentes, mas não é bem assim, também as dá aos menos preparados, aos menos fortes, aos menos corajosos, eu sou esse exemplo. 

Nesse dia fui confrontada com um diagnóstico de uma doença crónica e grave num dos meus filhos. Uma doença debilitante, incapacitante e evolutiva. Uma doença (aos dias de hoje) sem cura e sem grandes hipóteses de ser travada. Uma doença da qual nunca tinha ouvido falar. Uma doença da qual não sabia nada. Uma doença que quando se começa a perceber um pouco melhor é assustadora. 

Um diagnóstico destes é pior do que uma bomba atómica, destrói e muda tudo o que conhecemos, tem efeitos colaterais, secundários e incalculáveis. Afecta-nos para sempre, mesmo passados dois anos ainda corrói as entranhas, todas as células do meu corpo e temo que assim será para sempre. 

Como se consegue viver com normalidade depois de uma notícia destas? 
Não sei, tenta-se o melhor que se pode e consegue, o pensamento e os objectivos passam imediatamente de longo para curto prazo. O que vamos fazer ou onde vamos morar daqui a 5 anos, deixam de importar. Vive-se um dia de cada vez, inicialmente com mágoa, com uma tristeza imensa, com uma dor inconsolável, aos poucos vamos ganhando lucidez, vamos fortalecendo o corpo, a mente e a alma e só uma coisa nos move. Chama-se AMOR! 

Sim, o Amor por um filho, o Amor pela vida, o AMOR é a chave. Adiciona-se fé, coragem, resiliência, desafio, humildade e encara-se tudo de frente e de cabeça erguida. 

Durante estes dois anos não falei muito sobre o tema, com o intuito de preservar sempre a minha família e principalmente uma criança que ainda não sabe que tem uma doença crónica, nem tudo o que a espera e que não se sabe defender dos olhares indiscretos ou de pena.
Não quero que tenham pena, NÃO QUERO QUE TENHAM PENA DE NÓS! Penas têm as galinhas, (não é querida Andreia Paes de Vasconcelos?). 

Não se esqueçam nunca, antes de apontar o dedo ou de observar alguém: Uma doença ou uma condição não define ninguém, qualquer pessoa é muito mais do que nós vemos ou do que julgamos saber. E porque sei que nem todas as pessoas têm esse entendimento, tenho ocultado esta parte da nossa vida. 

Não houve negligência, não houve circunstâncias estranhas, houve somente uma inevitabilidade, um acaso. Por aqui somos uma família igual a tantas outras, somos uma família normal, temos um desafio acrescido, iremos falhar algumas vezes mas também iremos vencer outras tantas, tenho a certeza!

Se puderem fazer algo por esta família normal e mais uma vez digo, esqueçam a parte dos coitadinhos e das penas das galinhas, então encham-nos de boas energias, encham-nos de boa disposição, de afecto, sorriam para nós, abracem-nos, ajudem-nos, acolham-nos (a doença não é contagiosa!!), por outro lado não finjam que não nos veem, deem-nos as mãos, não procurem em nós sinais ou sintomas de doenças, torçam para que tudo dê certo, para que apareça a cura desta doença, acreditem tal como nós, acreditem no nosso milagre, na nossa força e queiram-nos felizes.
Ah e ajudem quem precisa, sejam inclusivos no vosso dia-a-dia, respeitem as prioridades, não estacionem nos lugares destinados a quem tem necessidades especiais, não estacionem em cima dos passeios. Abracem causas solidárias, respeitem o próximo e não definam ninguém pelo seu aspecto ou por algo que julgam saber.

Este tipo de partilhas dá sempre azo a falatórios, a opiniões divergentes, é normal! Não julguem o que não sabem, as pessoas são todas diferentes, há quem prefira não falar, há quem fale e pronto e há quem não fale ao início e depois precise de desabafar ou vice-versa... Escrever estas linhas é para mim terapêutico, escrever estas linhas é para mim mais um passo em frente na aceitação do que a vida me deu, escrever estas e outras linhas é caminhar na direcção certa.

Se eu pudesse escolher escolheria que o dia 21 de Março de 2016 não tivesse existido, mas se eu pudesse escolher nunca jamais escolheria outros filhos, e isso sim é amor incondicional, o amor que sara feridas, que cura doenças, que faz acontecer milagres! ❤



3 comentários

  1. Se eu pudesse escolher, escolheria que o dia 5 de abril de 2017 não tivesse existido...
    Obrigada pelas suas palavras, identifiquei-me a 100% nos seus sentimentos...
    Mãe dos A’s❤️

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    Respostas
    1. Querida muito obrigada pela sua mensagem!
      Estou aqui, uma outra Mãe de coração e braços abertos para a ajudar, porque acredito mesmo que juntas somos mais fortes!
      Tudo a correr bem! <3
      Beijinhos

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  2. minha querida grande beijinho

    gosto muito de ti, que corra tudo pelo melhor

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